qua, 10/03/10
por Julia Duarte |
Foi muito anunciada a guerra conjugal de James Cameron e Kathryn Bigelow no Oscar. Eles são um ex-casal. Não temos a menor ideia de quem terminou com quem e os motivos do fim da relação. Isso não importa.
O que importa é que a academia de Hollywood fez o favor de colocar a moça sentada na cadeira da frente do ex-marido, que por sua vez, estava acompanhado da atual mulher. Saia justa? Também não sei.
Eu sei bem pouco sobre a vida, mas sei quando o corpo fala. Na noite de domingo ela era a principal rival do diretor de Avatar, concorriam a melhor diretor e melhor filme. Ela levou a melhor em ambos.
Vejam vocês e tirem suas conclusões. Brincadeira ou vontade mesmo de estrangular a ex (que além de inteirona aos 58 anos levou para casa a tão sonhada estatueta do Oscar)?

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seg, 08/03/10
por Julia Duarte |
1:30 da manhã. Sandra Bullock ganhou o Oscar de melhor atriz. Tive um momento de glória junto com ela. Primeiro porque ela merecia, depois porque tenho a sensação (depois de tudo que li a respeito da moça) de que ela é divertida, leve, gente de bem com a vida. E diz que se preocupa com o que acham dela como pessoa.
Ela sempre foi considerada meio fora da curva em Hollywood. Não fez nada “socialmente aceito” e sempre fez aqueles papéis em que ri de si mesma, apesar de ser linda. Casou-se aos 40 anos e não teve filhos. Apesar de parecer espalhafatosa é super discreta. Não fala da vida pessoal e dificilmente você a vê estampada em capas de revista dando escândalo. Gosto disso.
Fiquei ali esperando para ver como seria o agradecimento para o marido. Eis que veio. Quando falaram o nome dela, ela ficou sentada, parada, olhando para ele. Achei o gesto dela lindo, um agradecimento a ele. Daí ela levantou e disparou a falar. Agradeceu a mãe por tê-la tornado uma pessoa melhor, por tê-la feito esperar pela vida e pelos momentos certos, porque a vida não precisa de pressa.
Então, ela olhou, apontou para ele e disse: “I got it because I got you”. Eu tenho isto (um Oscar) porque eu tenho você.
A câmera virou para ele. O cara tinha lágrimas nos olhos, estava bem emocionado. A noite era dela. Ele ficou feliz por ela, deixou-a brilhar. E eu fiquei ali sentada no sofá com a sensação de que é assim que deve ser.
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qua, 03/03/10
por Julia Duarte |
O escritor barato Fabio Hernandez diz que toda história de amor verdadeira acaba em maldição. Não se termina uma história de amor e ainda gostando da pessoa, com palavras de carinho. Senão aquela relação não termina nunca.
Ele conta que quando terminou com Nadja, ela o amaldiçoou e num rompante dentro de um restaurante disse “eu, eu, eu…”. Ele achou que seria uma gaguejada para ouvir um eu te amo e veio o resto da frase: “te odeio, Fabio”.
No filme Sex and the City, depois que Carrie é largada no altar e não se casa com Mr. Big, a melhor amiga dela diz para todo mundo que odeia tanto Mr. Big que se o encontrasse na rua não saberia o que dizer. Eis que o encontro acontece inesperadamente e ela fala: “I cursed the day you are born”. Eu amaldiçoei o dia em que você nasceu!
Uma amiga me conta que falou para um ex-namorado: “Você desgraçou a minha vida”. E depois desta frase ao invés de brigarem, eles riram. Ela sabe que muito provavelmente fez o mesmo com a vida dele. Agora é boa sorte, porque é só disso que os amaldiçoados vão precisar daqui pra frente. Sorte.
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seg, 01/03/10
por Julia Duarte |
O maître de um restaurante conta que é apaixonado por um senhora há 15 anos, mas ela é casada. Ele nunca se declarou. Fala que quando ela era solteira era destemida, aventureira, que provava todos os pratos do cardápio até o dia em que resolveu casar. Diz ainda que, depois de 15 anos, reparou que o casal simplesmente senta para comer e não conversa mais.
Ela conta que parou de pedir todos os pratos porque o marido sabe exatamente o que ela gosta e faz os pedidos para ela. Mulher pode ser um bicho esquisito e o maior entendedor delas, Frank Sinatra, dizia que nunca ouviu nenhuma reclamar da gentileza masculina. A senhora fala também que ela e o marido ainda têm o que conversar, mas que é totalmente confortável saber que podem ficar em silêncio, sem falar nada, só comendo.
Quando temos algo que gostamos, fica fácil, basta aproveitar. Mas quando algo errado acontece é que temos que arrumar novos meios de consertar as coisas. Improvisar. Adaptar-se à nova situação. Mudar.
Nós sabemos que com o passar do tempo as pessoas mudam, mesmo quando não querem mudar. Algumas vezes são forçadas a mudanças, sem querer. Deve ser por isso que falam que o casamento precisa ser refeito diariamente. Simplesmente porque tudo muda o tempo todo.
É o que esta senhora tem feito e conta: “fiz uma escolha há 15 anos e a refaço todos os dias, isto é casamento”. Concluo aqui que este é um jogo muito especial onde ganham os dois ou ambos perdem.
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qui, 25/02/10
por Julia Duarte |
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qua, 24/02/10
por Julia Duarte |
Então, falamos sobre olhares. Geralmente, o olhar das pessoas revela muito sobre o que sentem ou pensam a respeito das coisas e da vida.
Falo sobre os olhos de ressaca de Capitu, personagem de Machado de Assis. O autor usa uma metáfora para explicar os olhos de Capitu quando vê o caixão de Escobar, que morreu no mar. Aqueles são olhos que “puxam” as pessoas, como a ressaca do mar. Capitu, ainda segundo o escritor, era a cigana oblíqua e dissimulada porque supostamente traiu Escobar com seu melhor amigo, Bentinho.
Lembro também de Fabio Hernandez, o escritor barato, que sempre fala dos olhos de estrela de Natasha, a jovem de Guerra e Paz de Tolstói. Acho belíssima a descrição “olhos de estrela”. O olhar dela mudou com o passar do tempo, os olhos que antes brilhavam passaram a ser tristemente inquisitivos.
Quando paro de falar e mexer as mãos, escuto: “Você tem olhos de verão”. Gosto muito da música Três lados do Skank e lá eles cantam algo sobre olhos de verão. “Olhos de quem encontra multidões no coração, olhos de quem tem razões ou arpões, olhos de quem tem desejo e bom senso. São olhos difíceis de entender, mas que têm sempre esperança. Em tudo.”
Escuto impávida e dou meu consentimento. Porque como diz a música, são olhos de quem acredita que o amanhã proverá outros pães.
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ter, 23/02/10
por Julia Duarte |
Assisto a um episódio de Ally McBeal, o seriado sobre advogados e seus problemas amorosos. Ally, Calista Flockhart, é totalmente neurótica e solta frases sensacionais como: ”Maybe I’m happy and I just don’t know it”, talvez eu esteja feliz e não sei.
No episódio que assisti ela começou a sair com um advogado charmoso (num nível nunca antes visto pela humanidade) e ficou com medo. Depois de dois encontros ainda não tinham se beijado e iam se enfrentar no tribunal, em um julgamento.
O desespero dela é enorme. Se ela vencer o moço no tribunal, a história não deslancha. Se ela perder, sairá derrotada. No final do episódio, ela perde e vai conversar com ele. Diz que se preocupa com o que pode acontecer entre eles porque é a primeira vez que sente que alguém realmente gosta ou se preocupa de verdade com o que ela pensa ou sente.
O fundo musical que representa o que Ally está pensando é “Once in my life”, de Frank Sinatra. Na música ele canta “pela primeira vez na vida tenho alguém que precisa de mim, alguém que eu precisei por tanto tempo e pela primeira vez posso ir sem medo para onde a vida me levar.”
É também a primeira vez em que ela pôde encontrar alguém exatamente igual seu coração sonhou. Gosto disso. Porque muitas vezes sonhar é fugir da realidade, no sonho você é capaz de atingir algo que supostamente na vida real não vai conseguir. E aquele advogado é a personificação do sonho.
Ela ainda tenta dissuadir o moço charmoso a ficar com ela. Dizendo que tem muitos defeitos e começa a elencá-los. Diz que tem medo de deixar ser amada, que é vaidosa, que é self absorved (não achei tradução boa em português), que é bonita (para quem não sabe, mulher bonita dá muito trabalho).
Ele diz que ela não precisa ter medo de nada disso. Ela explica o medo e fala que dessa vez é diferente das outras vezes, pela primeira vez na vida ela tem algo e alguém muito importante em jogo para se perder. Ter medo disso, faz sentido.
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seg, 22/02/10
por Julia Duarte |
Converso com um super amigo e ele me conta que está mini-apaixonado. Adorei o termo. Algo do gênero, ainda-vou-me-apaixonar-perdidamente, mas por enquanto é mini.
Falo para ele ir em frente, mas tem o receio das coisas não darem certo e depois sofrer. Proteção de quem já foi lá, colocou a mão no fogo e se queimou. Bem sabemos como funciona, entra em ação o nosso Nostradamus interno e começamos a prever o futuro.
Insisto no argumento e falo para ele que não tem nada melhor do que se perder numa paixão. Daquelas que descontrola o lítio – aquele elemento químico que estabiliza o humor – e que depois faz você não saber mais se está indo ou voltando.
Gente que nos mostra o nosso melhor ou nos faz sermos pessoas melhores não se acha ao acaso. Não aparece todo dia. Não toca a campainha de casa e diz: “ei, estou aqui, pronto para bagunçar a sua vida”. Elas entram e pronto. A você só cabe ficar tonto.
Então, quando você encontrar alguém que vale a pena, vá em frente e deixe a vida se encarregar do resto. Mesmo que você se queime depois.
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sex, 19/02/10
por Julia Duarte |
Assisto novamente ao filme Cidade dos anjos. É triste, mas um belo filme. Revi porque estou há dias com uma cena na cabeça e é pouco provável que seja a cena que a maioria vai recordar.
Seth está sozinho novamente e vai ao mercado comprar peras. Essa é a forma que ele encontra de ficar próximo a Maggie, mesmo estando sem ela. Um dia, no passado, ela estava mostrando a ele novas experiências e eles comem peras. Ele pergunta a ela qual é o gosto que elas têm.
“Você não sabe?”, ela fala.
“Eu sei, quero saber o gosto que elas têm para você”, ele responde.
Gosto da cena porque ele quis voltar ao mesmo local para ter as mesmas sensações, só que desta vez está sozinho, sentindo solidão e relembrando os momentos que passaram juntos.
Num ato de desespero começa a pegar todas as peras que vê pela frente para comprar. Como se aquela reação fosse trazê-la de volta para perto dele. Quando a emoção é grande demais, transborda do corpo. A mente e os sentimentos tornam-se poderosos demais, o corpo chora.
O fato é que o momento em que experimentaram as peras pela primeira vez passou, não vai voltar. Na nossa vida às vezes também queremos que algumas cenas voltem do mesmo jeito, que as sensações sejam as mesmas, mas nada se repete com os mesmos valores.
Além de termos que aproveitar cada segundo que a vida oferece, a lição final do filme é esta: “I would rather had one breathe of her hair, one kiss on the mouth, one touch of her hand, them one eternity without it”. Eu preferia ter sentido o cheiro de seu cabelo apenas uma vez, dado um beijo em sua boca, um toque em suas mãos, do que passar a eternidade sem isso. Mesmo que depois a emoção seja grande demais, você fique longe da pessoa e o corpo chore.
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qui, 18/02/10
por Julia Duarte |
Li uma matéria no blog da Lonely Planet falando sobre os lugares mais românticos do mundo. Na verdade era uma votação. Quem pensou em Paris, se enganou. A Itália ganhou a primeira colocação.
Os leitores falaram sobre propostas de casamento na Fontana de Trevi em Roma, passeios de gôndolas por Veneza ou ainda a vista do pôr do sol na ilha de Capri.
Tem também o lado misterioso dessa coisa chamada romance, gente achando amor no cemitério e até mesmo no lugar mais chato do planeta, o aeroporto. Alguém contou que depois de 28 anos encontrou um amigo antigo e foram de Seattle para Vancouver e depois para Whistler de carro e estava nevando. Apenas os dois. Disseram que foi a aventura mais romântica da vida deles. Achei uma graça o depoimento.
Fiquei aqui pensando onde podemos achar o amor. Um leitor chamado Harvey disse que amor é um estado da mente, qualquer lugar é possível. Eu, aqui na minha terra nada romântica, acho que amor não se acha. Amor acontece.
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