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A vida é feita de escolhas

ter, 01/06/10
por Julia Duarte |
categoria Desafio

Assisti ao último episódio de Grey´s Anatomy. Um atirador entra no hospital para matar os três médicos que ele responsabiliza pela morta de sua esposa.

Claro que ele sai atirando para todos os lados, o hospital é evacuado e quase todos os personagens principais morrem ou são baleados. A conversa final do atirador acontece com o ex-chefe do hospital e eles falam sobre escolhas.

Resta uma bala no revólver e o atirador tem que fazer a escolha: ele ou o chefe do hospital. Um dos dois não sairá vivo daquele quarto do hospital. Estamos cansados de saber que a vida é feita de escolhas. É o tipo de frase que você já ouviu muitas vezes na vida. Que temos que fazer escolhas é muito óbvio, por vezes, as fazemos ligados no piloto automático. Fazemos e não percebemos, mas não são estas que importam.

O chefe então diz que já se sentiu arrasado, que já foi ao fundo do poço e voltou, que viveu uma grande vida, teve alegrias, paixões e um grande amor e que não tem medo de morrer e pergunta para o atirador: “você tem?”

O atirador se assusta com as palavras. O chefe continua: “a morte para mim não é justiça e sim o fim da minha bela jornada.

Não é novidade, a vida humana é feita de escolhas. Sim ou não. Entrar ou sair da vida de alguém. Escolher entre dois amores. Ser herói ou covarde. Lutar por alguém ou desistir.

Viver tudo que há pra viver ou morrer por dentro porque não consegue escolher? Viver ou morrer, essa é a escolha que importa. Infelizmente ela não está sempre em nossas mãos.

Optar é renunciar

qui, 01/04/10
por Julia Duarte |
categoria Desafio

Almoço com dois amigos e falamos da vida, de viagens e claro, dos relacionamentos. Eles comentam que a parte mais difícil de se relacionar com alguém é o momento de ceder, de renunciar ao que você quer em benefício do outro ou do casal.

É difícil mesmo conseguir conciliar nossas vontades com a vontade do outro, mas estar junto com alguém é fazer isso o tempo todo. Tem o ônus e o bônus.

Tomar decisões é algo complicado. No minuto em que você decide por um caminho tem que imediatamente abandonar o outro. Mesmo os mais decididos podem vacilar, porque tomar uma decisão pode mudar o curso da sua vida.

Costumo dizer que quando achamos muitas vagas para estacionar o carro ficamos perdidos. Tem tanta opção. Pode pensar, quando só tem uma você vai lá, certeiro, sem titubear. Quando tem muita opção você fica circulando e pensando qual é a melhor vaga para parar o carro.

Às vezes nos relacionamentos isso também acontece. Ceder ou não, ter razão ou ser feliz, permanecer ou ir embora de vez da vida de alguém. Mas um dia você acorda, tudo fica claro, você sabe exatamente o que fazer, escolhe a opção que vai te deixar feliz. Toma tal atitude esperando que seja a melhor para sua vida. Por mais que doa abandonar o outro caminho você entende – de uma vez por todas – que optar é renunciar.

Quebra-cabeças emocional

qua, 01/07/09
por Julia Duarte |

Todo mundo já montou alguma vez um quebra-cabeças, certo? Segundo o dicionário é um jogo onde o jogador deve resolver um problema proposto. Ali o raciocínio é mais importante do que a agilidade e a força física. Você junta todas as peças com cuidado. Uma a uma, pensando no encaixe que vai dar a elas.

Começa pelas beiradas porque é o método mais fácil. Separa tudo por cores e vai montando o meio até chegar ao fim. Penso, então, nos quebra-cabeças emocionais dos relacionamentos. Algumas histórias não têm o começo muito claro, meio e fim. Por isso, às vezes montamos 999 peças e falta a milésima.

Quando você olha o conjunto da obra parece que não fez nada, apesar de já ter percorrido um longo caminho. Infelizmente, a peça que está faltando é a que mais chama atenção, mesmo com a paisagem geral bem bonita.

Você se esforça para achar a peça que perdeu, tenta fazer uma peça fake, mentir para você mesmo para ver se melhora o visual da obra, mas não adianta. Fica incompleto, até a peça que falta ser achada e tudo se encaixar.

Menina Veneno

seg, 08/12/08
por Julia Duarte |
categoria Desafio

Releio uma entrevista com a apresentadora da MTV Marina Person. Ela é o tipo de mulher que parece ter algo decente para dizer. Além de inteligente, apresentava há alguns anos atrás, um programa que revelava os segredos das mulheres. O “Menina Veneno”.

Ela conta na entrevista que já sofreu pra caramba com relacionamentos e que já aconteceu de começar a ficar com alguém e o cara simplesmente sumir. Aí se você é mulher e já passou por isso, se pergunta: “O que eu fiz de errado?” ou “Por que ele não gostou de mim?” Esse é o tipo de pergunta sem resposta. Como quase todas feitas em relacionamentos.

Uma conhecida me contou que um moço sumiu depois de ouvir numa mesa de bar “um brinde ao amor”. Ela nem foi ela a autora da frase, foi a amiga dela. É motivo para o cara sumir?

As perguntas que ficam são as seguintes: para onde os homens vão quando somem de sua vida? Você deve reportar o desaparecimento às autoridades competentes? Procurar o cidadão no buraco da camada de ozônio ou no triângulo das bermudas?

Alguns homens têm este dom. Fazem a mágica do desaparecimento ser uma grande surpresa para quem não espera por ela. Talvez eles sejam parentes do Houdini.

A verdade é que quando somem sem deixar uma boa explicação devemos agradecer. Existe algo de errado com eles e não conosco. Se você parar para pensar, quem ficou sem explicação sempre será livre de todas as formas que o outro nunca será.

O NÃO

dom, 30/11/08
por Julia Duarte |
categoria Desafio

Ninguém nunca ensina para a gente na escola as coisas que realmente importam na vida. Você passa anos lá, dentro daquele mesmo lugar aprendendo as equações e ninguém nunca te explicou o fundamental.

Se você é adolescente e está com receio de dizer que gosta de alguém vou te contar uma coisa que aprendi com os anos: Vá em frente, o NÃO você já tem. O máximo que pode te acontecer é o esperado sim. A adolescência é a idade certa de aprender isso porque deixamos as coisas passarem por puro medo. Se você já é adulto deve ter aprendido a lição. O ‘não’ faz todo sentido do mundo em alguns casos, mas é entendido como rejeição e por isso é tão temido.

Quando quiser falar com alguém e não souber como fazê-lo pense no NÃO. É normal olhar para o relógio, olhar para o teclado, olhar para o telefone. Nada de ansiedade, apenas um desejo incontido de se comunicar. Escrever e apagar, discar e desligar. Não tente entender essas atitudes patéticas que temos. Há mais mistérios entre o céu e a terra do sonha nossa vã filosofia. Lembra da lição e das palavras mágicas que soam dentro de sua cabeça ‘o não eu já tenho’, ‘o não eu já tenho’, ‘o não eu já tenho’.

Escreva. Ligue. Mande recado. Carta. Sinal de fumaça. Pombo correio. A partir do momento que você realmente compreende o NÃO e de que ele pode realmente acontecer, fica mais fácil aceitá-lo. O seu direito de querer algo com alguém acaba onde começa o do outro em não querer nada com você.

O bom é quando o outro quer. Quando corresponde. Porém, pensar no NÃO te torna adequadamente humilde. A gente faz o que é possível fazer. E esse é um bom jeito de se viver.

Medicina reparadora

qua, 24/09/08
por Julia Duarte |
categoria Desafio

Os médicos cirurgiões tomam três atitudes durante uma operação: Cortar. Suturar. Fechar.

Na vida emocional penso que seria fácil se fosse assim para todo mundo. Alguns de nós temos cortes que nunca saram e o resto do procedimento médico não funciona. É preciso fechar o corte para poder suturar.

Depois de suturar, fechar. Mas um dia você acorda e tudo que você achava que sabia já era. É complicado dar passos emocionais com a precisão de um médico.

O ditado diz que a prática nos leva a perfeição. Dizem por aí que só a prática não é o suficiente. Você vai precisar lembrar a teoria para saber como agir e, assim, fechar a ferida que não sara.

Na vida real a gente pára de pensar como um cirurgião e começamos a pensar como seres humanos que sofrem com as emoções. Partiram seu coração? Deveria ser simples assim: Corta. Sutura. Fecha. E pronto.

Desafios

seg, 18/08/08
por Julia Duarte |
categoria Desafio
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Assisti novamente este final de semana um documentário com a cantora Madonna. Ela fala sobre seu marido, o cineasta Guy Ritchie. A cantora conhecida por ser independente, polêmica e com um gênio difícil de lidar diz que sempre precisou de um homem que segurasse as rédeas, tanto dela quanto da relação.

Um homem para ficar com uma mulher como ela tem que ser um homem de verdade. Cheio de opiniões, de vontades e de atitudes. Não vejo Madonna perguntando algo ao marido e ele responder: “Olha, não tenho uma opinião formada”. Ela comenta que jamais poderia ter se casado com um “mané”, com um homem que não a desafia.

Chega um momento do documentário em que ela fala sobre encontro de almas gêmeas. Explica que ele é a alma gêmea dela porque é aquela pessoa que a desafia, que a faz pensar e que a irrita profundamente de vez em quando.

Temos em nossa cabeça o ideal romântico de alma gêmea: pessoas que se completam. São as metades que foram separadas no nascimento e se você não a encontrar, corre o risco de passar a vida inteira vagando como um fantasma, como um ser incompleto.

Certamente tem gente que prefere o caminho mais fácil, tem gente que pensa que almas gêmeas são pessoas quem pensam e fazem tudo igualmente. Eu vou concordar com a Madonna. É infinitamente mais interessante ter ao lado alguém que te desafia a pensar, a poder mais e a ser uma pessoa melhor. Vocês concordam?



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