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Maldição de fim de caso

qua, 03/03/10
por Julia Duarte |

O escritor barato Fabio Hernandez diz que toda história de amor verdadeira acaba em maldição. Não se termina uma história de amor e ainda gostando da pessoa, com palavras de carinho. Senão aquela relação não termina nunca.

Ele conta que quando terminou com Nadja, ela o amaldiçoou e num rompante dentro de um restaurante disse “eu, eu, eu…”. Ele achou que seria uma gaguejada para ouvir um eu te amo e veio o resto da frase: “te odeio, Fabio”.

No filme Sex and the City, depois que Carrie é largada no altar e não se casa com Mr. Big, a melhor amiga dela diz para todo mundo que odeia tanto Mr. Big que se o encontrasse na rua não saberia o que dizer. Eis que o encontro acontece inesperadamente e ela fala: “I cursed the day you are born”. Eu amaldiçoei o dia em que você nasceu!

Uma amiga me conta que falou para um ex-namorado: “Você desgraçou a minha vida”. E depois desta frase ao invés de brigarem, eles riram. Ela sabe que muito provavelmente fez o mesmo com a vida dele. Agora é boa sorte, porque é só disso que os amaldiçoados vão precisar daqui pra frente. Sorte.

Entre quatro paredes

qui, 09/07/09
por Julia Duarte |

Discutir a relação a dois é algo complicado. Fazer isso em público deve ser assustador já que a privacidade vai pro beleléu. Mas foi exatamente isso que o casal formado pela artista plástica Sophie Calle e o escritor Gregóire Boullier fizeram na Festa Literária Internacional de Paraty.

Ela recebeu dele um e-mail terminando a relação e encaminhou-o para várias mulheres de diferentes profissões para saber a reação de cada uma delas com relação ao conteúdo da mensagem (as cartas resposta dessas mulheres estão expostas em São Paulo, no SESC Pompéia).

Acho nobre fazer arte com as tragédias que o coração nos prega. A obra de Sophie foi denominada “Cuide de você”. Questionada se assustou possíveis pretendentes, ela diz não já que está namorando novamente. O novo namorado lhe fez um pedido: não ser objeto de uma obra. Ela aceitou, mas falou: “Isso não quer dizer que vou obedecer”.

Já o moço escritor, tido com o vilão da história, usou de ironia e humor para falar da relação. “Não é proibido dar um fora em alguém. É um direito fundamental de alguém amar alguém e deixar de amar”, disse.

Concordo como o escritor e também com o velho ditado que diz que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Ninguém sabe de verdade o que acontece entre quatro paredes com um casal. Mas verdade seja dita, terminar um relacionamento por e-mail é o fim da picada, não?

A dor física

sex, 05/06/09
por Julia Duarte |
categoria Amor, Fim de caso

Todo fim de caso traz dor, todo mundo fala da dor que sente no coração ou até mesmo o vazio que fica na alma. A dor física é difícil de ser explicada.

Penso então nos médicos – aqueles seres fantásticos que curam as dores do corpo – eles dão aos pacientes os fatos. O paciente só quer saber se a dor vai passar, se pode ter esperança. A verdade é que quando o corpo nos trai, trazendo toda a dor de um fim de amor, toda ciência é inútil.

Há aqueles que acreditam no amor ridículo, daqueles difíceis de achar. Um amor que consome, do gênero can´t live without each other (não achei frase melhor em português). Às vezes a gente pensa que encontrou este tipo de amor, mas o amor não está onde a gente procura e cometemos erros.

Assim como um paciente doente, nos agarramos à esperança de que a dor vai passar. É o que nos resta. No meio do caminho vale agradecer por tirarem ou por temos tirado algumas pessoas de nossas vidas. A verdade será sempre a mesma é uma só: dói, mas passa.

Teoria para o fim de caso

seg, 06/04/09
por Julia Duarte |

Assisti a um episódio do seriado Friends e uma das moças, a Rachel, faz a seguinte pergunta para as amigas: “quanto tempo leva para um cara se envolver de novo depois que termina um namoro?” Ela está gostando dele e não quer tomar um fora com a desculpa de que o cara não está pronto para se envolver novamente.

Uma responde: “leva um mês mais ou menos”, a outra diz: “acho que leva mais tempo, uns 3 ou 4 meses.” Joey, o amigo homem, ouve a conversa e fala: “30 minutos é a resposta mais correta”.

Elas duvidam que seja assim tão rápido e a aconselham que seja amiga dele, dê um ombro para o cara se lamentar e assim ele vai se envolvendo. Joey fala novamente: “não seja amiga, dê logo em cima dele. Go for it, girl.”

Eu tenho minha opinião, mas quero saber a de vocês, é necessário esperar o moço processar o fim de caso ou ele já está pronto para outra assim que termina um namoro?

Feitiço do tempo

qui, 20/11/08
por Julia Duarte |
categoria Fim de caso

Almocei com uma amiga hoje e conversamos sobre destino. Ela me contou que estava sofrendo com um fim de caso. Depois do almoço, assisti ao filme “Na natureza selvagem”. O filme é uma lição sobre a liberdade absoluta. Sobre viver sem lenço nem documento, o que normalmente está associado a fugir. Fugir do passado, da opressão e das obrigações maçantes.

Fugir de uma história é não se arriscar. Não dar chance para o amor acontecer. É ser duro com você mesmo. Às vezes por impulso fazemos coisas que nunca imaginamos fazer. Sofremos de modo que nunca ouvimos falar. Tomamos golpes duros da vida e por mais que a outra pessoa tenha consciência que não quer nos machucar, machuca sem saber o estrago. Sem saber que pode abalar uma história bonita.

O filme também nos leva a fazer uma reflexão forçada, algo importante quando entramos no campo das perdas. E é sobre isso que eu quero falar. Perder alguém. Perder alguém ou tirar uma pessoa de nossas vidas é uma escolha e não uma obra do destino. Tem aqueles que acreditam que a pessoa certa chegou na hora errada. Nunca acreditei muito que se a pessoa é certa a hora é errada. A gente faz acontecer quando encontra alguém certo para nós.

Acho difícil acreditar que é o destino que comanda tudo. Só a Cinderela acorda 100 anos depois e o príncipe ainda está lá. Nós, gente de verdade e não personagens de contos de fadas sabemos que não se joga uma história de amor no lixo simplesmente porque a mágica do destino nos ajudará no futuro. O futuro pode não chegar. O tempo cura e coloca muita coisa no lugar certo, mas não possui um feitiço milagroso em fazer o destino acontecer.

Quem faz o destino é a gente. A equação é simples: se você quer algo ou alguém na sua vida só há uma coisa a fazer: ir atrás. Sem titubear. Felicidade só é de verdade quando compartilhada. Ponto final.

Só um tapinha

ter, 04/11/08
por Julia Duarte |
categoria Fim de caso

O assunto já cansou, mas como não param de falar em Luana Piovani e Dado, resolvi perguntar o que acharam do caso.

Tem gente falando: foi só um tapa. Como assim? Poderia ser um soco, um pontapé e daí para virar uma guerra não custa nada. Sou contra qualquer tipo de violência. Vou além, não se bate em uma mulher nem que ela mereça.

Em uma entrevista para o site da revista Época, Luana comentou que é bonita, independente, inteligente, bebe sua minha cerveja e seu champagne, tem um monte de amigos, sai sozinha e adora dar risadas. É difícil um cara segurar a bronca.

A única informação que causou espanto foi Luana dizer que não foi a primeira vez que isso aconteceu na vida dela. Tem um monte de mulheres por aí com todas essas qualidades e nem por isso tomam tabefes do namorado por causa de ciúmes. Concordam?

A vida é feita de escolhas

ter, 30/09/08
por Julia Duarte |
categoria Fim de caso

Sempre que um relacionamento termina procuramos explicações. Algumas vezes é melhor não saber. Outras vezes não há explicação. Mas continuamos a procurar razões e motivações para o fim.

No filme “Um beijo roubado”, o ator Jude Law é dono de um bar e explica a uma cliente que algumas coisas na vida são como tortas e bolos. Ele diz que o cheescake e a torta de maça acabam todas as noites. A torta de chocolate sempre resta um pedaço, mas a de blueberry permance intacta.

“O que há de errado com a torta de blueberry?”, a cliente pergunta.

“Nenhum problema. As pessoas fazem escolhas. A culpa não é da torta”, diz Jude Law.

Nem todo fim de caso tem uma explicação. Talvez quando não conseguir encontrar uma boa explicação seja bom usar a teoria das tortas: as pessoas fazem escolhas.

Ambição é ter mais do que o necessário

qua, 30/07/08
por Julia Duarte |
categoria Fim de caso



Quando um homem decide que é hora de sair de sua vida? Um homem deseja sair da sua vida quando ele acha que você está esperando mais do que ele está preparado para te dar. Ele sabe que te deu motivos, que te deu corda e se sente culpado para ter uma conversa franca e falar que está de saída.

Qualquer homem normal teria dificuldade em dizer que não está afim de você. Você também não teria? O moço sabe que exagerou na dose e não sabe como te tirar da vida dele. E você fica ali, insiste. Liga, manda recado no e-mail, no celular, faz escarcéu. Enfim, tudo errado.

Por que você será sempre a última a saber que ele quer te deixar? Porque ele será o último a te contar (se contar) ou você realmente não quer perceber. As mulheres sempre acham que podem mudar um homem ou o pensamento dele. Não é um grande mistério, mas leva tempo para aprender: eles não mudam.

Escuto uma música de Eddie Vedder e ele canta que quando você tem mais coisas do que precisa, você precisa de mais espaço. Ambição desmedida é ter mais do que o necessário para viver. Penso que com o nosso coração é a mesma coisa, quando você tem mais pessoas do que precisa em sua vida, vai precisar de mais espaço em seu coração.

Imagino a desculpa: cada pessoa serve para uma coisa. Você vai preenchendo os vazios e a solidão com cada pessoa. Uma pessoa é para rir, outra é leve, outra tem bom papo e, claro, tem o sexo. Assim, Franksteins são montados e espera-se que no futuro as criaturas não virem contra o criador.

Não é qualquer pessoa que passa pela nossa vida que tem espaço em nosso coração. Ter cadeira cativa não é pra todo mundo. Se deseja sair da vida de uma mulher, saia. Mas não a faça achar que ela deixou marcas quando isso não é verdade. Coração de muita gente é grande, mas foi feito para poucos.


Mentiras sinceras

ter, 22/07/08
por Julia Duarte |
categoria Fim de caso



Você já terminou um caso ou terminaram com você com alguma desculpa muito esfarrapada?

Está em cartaz no Bush Theatre, em Londres, a peça “50 Ways to Leave Your Lover” (50 maneiras de deixar o seu amor). Os autores da peça compilaram as melhores respostas de uma enquete on-line e fazem uma sátira para o fim dos romances. Tem alguns absurdos que são hilários. Se é que alguém que está no olho do furacão de um fim de caso consegue ver graça em alguma coisa…

As desculpas são descabidas e de todos os gêneros. E não é nada do que você ouve por aí: “Não é você, sou eu”. “Estou muito ocupado, tem muita coisa acontecendo na minha vida”. “Vamos ser somente amigos”. Dói o ouvido, não?

Vejam só a desculpa ecologicamente correta que está na peça: “Sim, querida, eu vejo um futuro para nós dois, mas ele está mais para uma visão de aquecimento global e catástrofe climática. Então eu vou tomar algumas medidas preventivas. Pelo bem do planeta!”

Me lembro que Matt Damon terminou via Oprah Winfrey um relacionamento de anos. A moça, então namorada, estava em casa vendo TV e descobre que levou um fora em rede nacional. Bola fora total do moço, mas foi a maneira que ele encontrou para terminar com ela.

Bom, não existe um jeito fácil de terminar um relacionamento. Qual foi a pior bobagem que vocês já ouviram de alguém que queria terminar um romance?


Nós sempre teremos Paris

qui, 10/07/08
por criativa_2007 |
categoria Fim de caso



Fazia frio em Paris. Aquela era a última taça de champagne que tomariam no bar do hotel antes de voltarem para casa. Talvez os últimos momentos juntos, pensaram. Mas só ela falou. Ele apenas perguntou: Que horas são? Seu champagne ainda está gelado?

A chuva batia janela. Os olhares se encontravam o tempo todo, mas os pensamentos estavam perdidos. Impossível ela não ficar hipnotizada pelos olhos extremamente azuis dele. Havia muita conversa, mas não havia conversa. Os sentimentos não tinham entendido que era hora de se despedir. Nessas horas é difícil se colocar no lugar do outro. Sentir a dor do outro quando você mesmo não suporta a sua. Quando há muito sentimento, invariavelmente, há muita dor.

Saíram andando pela rua. A chuva fininha e gelada deixava Paris com um ar melancólico. Andaram pela rua de mãos coladas, como se não fossem se largar. O trem partiria em breve. Mesmo caminho, diferentes destinos. Despediram-se com um beijo, já dentro do trem. Ele desceu na estação seguinte rumo a sua vida. Ela desceu muito tempo depois. Quando consegui se descolar da poltrona, os olhos estavam úmidos, a visão embaçada e o cérebro desordenado. Rumou para a sua vida também pensando que sempre teriam Paris.

Os anos passaram. Mas em noites de chuva, diziam um para o outro que nunca deveriam ter descido daquele trem e tomado rumos tão diferentes. Nunca.



PS: Queria agradecer a blogueira Nathalia Restum que escreveu um texto lindo com o mesmo assunto! http://www.pseudo-literatura.blogspot.com/



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