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Colocar a mão no fogo é para se queimar?

seg, 22/02/10
por Julia Duarte |
categoria Pura magia

Converso com um super amigo e ele me conta que está mini-apaixonado. Adorei o termo. Algo do gênero, ainda-vou-me-apaixonar-perdidamente, mas por enquanto é mini.

Falo para ele ir em frente, mas tem o receio das coisas não darem certo e depois sofrer. Proteção de quem já foi lá, colocou a mão no fogo e se queimou. Bem sabemos como funciona, entra em ação o nosso Nostradamus interno e começamos a prever o futuro.

Insisto no argumento e falo para ele que não tem nada melhor do que se perder numa paixão. Daquelas que descontrola o lítio – aquele elemento químico que estabiliza o humor – e que depois faz você não saber mais se está indo ou voltando.

Gente que nos mostra o nosso melhor ou nos faz sermos pessoas melhores não se acha ao acaso. Não aparece todo dia. Não toca a campainha de casa e diz: “ei, estou aqui, pronto para bagunçar a sua vida”. Elas entram e pronto. A você só cabe ficar tonto.

Então, quando você encontrar alguém que vale a pena, vá em frente e deixe a vida se encarregar do resto. Mesmo que você se queime depois.

Em estado de formigamento

ter, 27/10/09
por Julia Duarte |
categoria Pura magia

Uma amiga queridíssima me mandou este texto. Reproduzo para vocês.

Depois do sofrimento por uma grande paixão que acabou mal, ou mesmo durante, existe uma certa sensação que inunda qualquer um e costuma ser expressa pela frase: “Eu nunca mais vou me apaixonar”.

De certa forma, é parecido quando sentamos em cima do pé e ele começa a formigar: parece que nunca mais voltaremos a senti-lo. No fundo, sabemos que cada dedo está lá, mas dá uma preguiça gigante de mexer o pé para bombear o sangue e medo da aflição que sentimos ao tentar fazer com que a circulação volte ao normal.

Por mais que pareça um grande clichê dizer “nunca mais quero me apaixonar”, o sentimento é verdadeiro. E não um radicalismo barato. Ao mesmo tempo que sentimos uma leveza enorme, e saber que um dia vamos conseguir mexer o dedão outra vez, o pano de fundo é aquilo. Aquele misto de insensibilidade, lembranças dolorosas, e uma preguiça, pra dizer o mínimo, de se abrir e correr o risco de sofrer outra vez.

Fora isso, a libertação do sujeito que nos inflige tristeza é como a brisa sentida em um dia de verão na praia. Ao mesmo tempo, parece impossível que, algum dia alguém seja capaz de arrancar todos aqueles frios na barriga, todos aqueles sorrisos, parece impossível que alguma história seja tão especial e bela quanto à última.

É tarde demais

sáb, 20/06/09
por Julia Duarte |

Uma das piores frases que alguém pode ouvir na vida é esta: é tarde demais.

Você está ali, querendo ficar com alguém ou deixando de ficar por que apesar de ser o amor mais doce que já se pôde ter na vida, quanto mais tentamos, mais tristeza vai aparecer.

A vontade de fugir é gigantesca, dá vontade de ficar longe, ir embora o mais rápido possível para ver se aquilo pode ser arrancado de dentro do peito ou sumir. Como num passe de mágica.

Quando você não puder, por qualquer motivo que seja, apagar as luzes e encerrar o seu número do show, tudo que lhe resta fazer é guardar o amor. A gente sangra por dentro, mas por fora fica sem reação. Fazemos uma cara blasé para esconder o que está nos consumindo por dentro.

A verdade é que ficar com alguém que não deveríamos é fazer da vida uma grande mentira. E cá entre nós, o amor nunca pode ser uma mentira. Como você pode amar alguém se não pode manter a pessoa ao seu lado?

Quando não existe outro jeito de fazer as coisas acontecerem, ou porque as pessoas não querem ou porque não podem, devemos deixar a vida acontecer por si só. Não dá pra deixar o fogo interno nos enlouquecer sem pensar nas conseqüências. Ou dá?

Eu acredito que não dá, é tornar a vida uma grande mentira sem necessidade. Mas pensando bem, a pior ou melhor frase de todas é esta: é tarde, mas nunca é tarde demais. A frase é o prenúncio do triunfo da esperança sobre a experiência.

Ônibus mágico

sex, 27/06/08
por criativa_2007 |
categoria Pura magia



É interessante perceber como as pessoas entram, permanecem e saem de nossas vidas. Como num ônibus, algumas ficam por várias estações. Outras entram e saem rapidamente, pois estão de passagem. Algumas deixam marcas. Outras passam a fazer parte de nossa existência. Mas a essência do seu ser é sua. As impressões aos fatos são suas. É você quem dá a dimensão para os acontecimentos e para as pessoas em sua volta. Citando Saint Exupéry “é o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante”.

Então, penso no filme que assisti no final de semana Na Natureza Selvagem. O protagonista tem um objetivo. Viver no meio da natureza. Para isso, ele abandona tudo. Dinheiro, família, carro, até sua identidade em busca de algo que chama de revolução espiritual.

A sabedoria deste moço foi descoberta por meio daquela viagem que ninguém pode fazer por nós: a viagem interior. Somente depois de perder tudo é que estamos livres para fazer qualquer coisa. É a reflexão forçada que vem com nossas perdas. Como conseqüência, o lance é abandonar o passado e o excesso de bagagens para sermos seres mais livres e, principalmente, mais leves.

A explicação pode parecer simples à primeira vista, mas não é. Vou tentar. Nós não somos o carro que dirigimos, a conta no banco, a roupa que vestimos, a casa onde moramos. Isso tudo são coisas e coisas não definem pessoas. O que fazemos acumulando tudo é curar feridas internas com coisas externas. Vamos vivendo dia após dia as nossas mentiras por aí. A sociedade nos engaiola e nos faz assim e nós deixamos. Mas o moço do filme, não pensa assim e cita Thoreau: “ao invés de amor, dinheiro, fé, fama, equidade, me dê a verdade”. No fundo, nossa verdade interior e nossa liberdade são os bens mais importantes que possuímos.

Uma cena que me tocou profundamente foi o encontro dele com uma garota. Ela está nitidamente apaixonada pelo espírito aventureiro dele. Ele é livre. Acredito que o moço selvagem é livre de todas as formas que nós não somos. Foi um grande acaso se encontrarem. Acho engraçado como o acaso nos leva para pessoas inimagináveis e que fazem bem para nosso espírito.

Enfim, não vou estragar e contar o que acontece entre eles. Mas quando se despedem, ele fala para ela: “Você é pura magia” e a beija na testa. Ela se agarra ao pescoço dele com os dedos entrelaçados. Dói ver. Chorei. A cena é linda porque tem sinceridade no sorriso e no olhar dele e na reação dela. E, além disso, a frase é sensacional. Pura magia. Alguém já falou para você que você é pura magia?

Em busca da liberdade máxima – e por vezes extremista – ele acaba concluindo que felicidade só é de verdade quando compartilhada. Eu não sei qual é a sua idéia de felicidade. Cada pessoa tem a sua. Felicidade pode ser o sorriso de um amigo. O vento batendo no rosto. Doce bem-casado na padaria. A risada deliciosa de uma criança. O pôr do sol. Escalar uma montanha.

Felicidade é coincidir vida e idéias. Felicidade é aquela seqüência de acontecimentos aos quais não se oferece resistência. E é também encontrar pela vida pessoas que são pura magia e que compartilhem com você a aventura de andar no ônibus mágico.


P.S.: Dedico este texto à você, Demente.




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